Olhe o para-brisa

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por Thiago Garcia

Sabe, Deus nos guia por partes, por isso, nós não precisamos ver todas as curvas do caminho no primeiro olhar. A gente sai e vai seguindo passo a passo a direção do Espírito de Deus. É como seguir um GPS. Quando viajo para Orlando sei me situar, mas é difícil me localizar nos primeiros dias, então, preciso saber aquela instrução específica que só o GPS dá. A instrução está na tela: “Em seis milhas saia à direita para pegar a I4″

Pronto! Só precisamos saber aquela instrução. Depois que já estou lá, chega a próxima instrução. Essa soma de instruções me guia ao meu destino. Assim é com o Senhor, a soma de instruções vai levando eu e você para o destino que Deus deseja para cada um de nós. Sabia que existe um destino celestial que Deus tem para nós nesta terra? Sabia que Deus tem uma obra para a gente fazer aqui? Deus poderia estar com muita vontade de nos alcançar, mas se Ele não tivesse encontrado corações disponíveis seria mais difícil. Entenda, Deus é todo poderoso, mas Ele decidiu contar comigo e com você, ciente das nossas limitações e incapacidades, ciente dos obstáculos que chegariam. Ainda assim, Ele preferiu contar comigo e com você para fazer a obra d’Ele aqui nesta terra. Como somos privilegiados!

Uma grande parte do nosso ministério está fora do púlpito. No púlpito, passamos 40 minutos ou um pouco mais, cronometrados, mas o ministério nós vivemos todo dia — na nossa maneira de fazer, no nosso comportamento, compartilhando o amor de Deus, abrindo um sorriso, ou dando uma palavra para alguém. Deus conta com cada um de nós para sermos luz aqui nesta terra. Eu não sei como estão as coisas aqui na América do Norte, mas no Brasil estão ficando mais escuras, mas quando está muito escuro é quando mais precisa-se de luz. A palavra “ministério” é mencionada na Bíblia, nós não a inventamos. Ela é mencionada, por exemplo, em I Timóteo 1.12: “Sou grato para com Aquele que me fortaleceu – Cristo Jesus que me considerou fiel e me designou para o ministério”.  Você foi designado para o ministério! Essa palavra “ministério” vem da palavra grega diakonia que quer dizer: “serviço cristão, devoção cristã, serviço devocional”. Será que Deus pode mesmo contar conosco, queridos? Até que ponto estamos dispostos a servir?

Ainda nesse versículo, a palavra “fiel” ou “fidelidade” vem do grego pistos ou pistes que quer dizer “fé”. Fé é simplesmente a gente agir com base em uma convicção, e Paulo fala que foi essa característica da fidelidade que o designou para o ministério. Deus está mesmo procurando corações fiéis e, quando Ele encontra isso em nós, é essa característica que nos abre a porta para o ministério. Mas diferente de um ingresso para a Disney, por exemplo, que você só mostra na entrada e pronto, o ministério me lembra uma viagem de ônibus. Na Paraíba, vez por outra, no ônibus, entrava um fiscal no meio da viagem para conferir a nossa passagem e a viagem seguia depois que ele conferiu. O ministério é assim, de vez em quando você vai ser estimulado, “cutucado” para que a sua fidelidade seja demonstrada, pois é essa mesma fidelidade — que abriu as portas para que você tivesse a disposição e a confiança da parte de Deus para servir à vida de pessoas — que vai continuar  levando você aos lugares que Deus deseja. 

Muitas vezes, na caminhada cristã, a fidelidade passa por uma prova de fogo, porque na hora que está tudo tranquilo é muito fácil ser fiel, mas quando os desafios se apresentam, surge para nós a possibilidade de passar a agir com base naquilo que aconteceu, na circunstância, na dificuldade ou nos mantermos fiéis àquilo que acreditamos, nas nossas convicções e princípios que a Palavra nos ensinam.

Paulo diz em outras palavras: “Olha, foi essa característica de me manter fiel a Deus que me abriu as portas para o ministério”. Nós passamos por uma temporada bem conflituosa nos últimos dois anos, correram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra as nossas casas. Algumas, inclusive, caíram. Pessoas que poderiam estar conosco hoje, durante a caminhada, se distanciaram por alguma razão. Sabe que esse distanciamento ou essa queda de alguma casa nos provoca um choque?

Ficamos arrasados quando vemos um companheiro fragilizado pelo meio do caminho. Sabe  por que isso nos arrasa? Porque não imaginamos que aquilo poderia acontecer. Às vezes, estamos bem animados, mas pode haver algo que não estamos vendo no fundamento da casa, que diante da dificuldade será revelado de uma maneira muito cruel. Se o nosso fundamento não estiver bem consolidado, todo mundo acaba vendo e acabamos ficando expostos. 

Vivemos por fé e não por vista. Vai ter pandemia, terremotos, dificuldades, etc. Se você ler o livro de Apocalipse vai ficar até mais assustado, mas Deus já nos preparou até mesmo antes de Apocalipse, porque Ele disse: Olha, o cenário externo muda, mas aqui dentro eu não solto você, eu não vou deixá-lo até que tudo se acabe”. É com base nesse lado de dentro que temos que “segurar a onda” aqui fora, pois se formos olhar para o lado de fora, a gente também desanima. Quantos de nós passamos por desafios pessoais?

Alguns perderam entes queridos, passaram por dores, por angústias, mas o nosso Deus continua sendo bom. Ele continua sendo a razão da nossa existência, do nosso trabalho, do nosso serviço. Se Deus é o mesmo, eu não tenho o direito de ficar menos entusiasmado porque o cenário externo mudou. Se estou deixando o meu comportamento ser ditado pelo cenário externo, eu nem estou sendo justo. Porque a Bíblia diz: “O meu justo viverá pela fé” (Hebreus 10.38). Não podemos nos envergonhar por ser da fé, porque a fé faz parte do nosso DNA, somos o Verbo da Vida, somos da fé, somos da Palavra da Fé. 

Não fomos nós quem inventamos que somos da Palavra da Fé. Paulo fala em Romanos 10.8 -10 que a Palavra está perto de nós, na nossa boca e no nosso coração, esta é a Palavra da Fé que nós pregamos. É essa a Palavra que tem que estar saindo da sua boca no momento da dificuldade e no momento da alegria. A dificuldade e a alegria são cenários diferentes, mas a Palavra não muda, ela é a mesma. Essa palavra tem que estar na nossa boca e em nosso coração, dois lugares simultâneos, se tiver apenas em nosso coração ou se for só “da boca pra fora”, pode até ser a Palavra de Deus, mas não é a Palavra da Fé. Até papagaio pode falar a Palavra de Deus se a gente ensinar, mas não é de coração, não é a Palavra da Fé. Nós que somos da fé temos que ter uma postura consciente: é no coração e na boca. Você tem suas dificuldades, eu tenho as minhas, mas sobre todas essas coisas Deus já nos fez mais que vencedores, a questão é onde estamos colocando os nossos olhos.

Em Hebreus 10, o escritor fala sobre diversos sofrimentos, mas nos versículos 35 e 36, ele diz: “Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa”. Ele diz, queridos, para nos lembrarmos dos dias de dificuldades e de vergonha, dos dias que tiraram aquilo que era nosso. Quem passou por sofrimento nesta vida? Quem passou por desgosto? Quem passou por decepções? Quem passou por frustrações? Precisamos lembrar dessas coisas, porque elas vão nos mostrar de onde saímos, de onde Deus nos tirou, daquilo que Ele nos livrou e para onde Ele está nos levando. O problema muitas vezes é que ficamos presos nas lembranças do passado e, quando ficamos presos, perdemos o que está por vir. 

Em Hebreus está escrito que é importante nos lembrarmos, mas não abandonarmos a confiança, porque o que está por vir é melhor. É por isso que você tem necessidade de perseverar. Passamos por uma situação turbulenta nos últimos dois anos, mas se desistirmos amanhã, de que adiantará?

Quem desiste diante da dificuldade só se cansou à toa.

Tenha em mente o retrovisor e o para-brisa de um carro. O retrovisor é importante, precisamos olhar para a tempestade que ficou para trás. Mas se você consegue ver no retrovisor, isso já é a prova de que tudo passou, é prova de que você já deixou aquela estação. O retrovisor tem um papel importante, ele lhe mostra de onde você saiu, mas também traz a referência de pessoas que estão próximas, que talvez possam ajudá-lo a se situar melhor. 

Agora, você sabe que o retrovisor é uma pequena visão do passado, mas que não pode ser o foco da sua observação? De vez em quando,dê uma conferida no seu retrovisor, mas não fique preso, não viva de passado. Mas coloque os olhos no lugar certo, porque é a confiança que temos em Deus que vai produzir grandes galardões. Precisamos saber para onde estamos indo. Como o Apóstolo Guto gosta de dizer: “Para quem não sabe para onde quer ir, qualquer lugar serve”. Minha pergunta para você é: onde os seus olhos estão? Você precisa olhar para onde Deus o plantou, porque do seu sucesso depende a vida das pessoas.

Nossa confiança precisa estar inabalável, firme. A Palavra “perseverança” usada nesse versículo de Hebreus significa: “estabilidade, constância, tolerância, característica da pessoa que não se desvia do seu propósito, da sua lealdade e da sua fé, mesmo diante das maiores provações e sofrimentos, paciente, firme, que espera por algo com lealdade que persiste com paciência e constância”. Isso é perseverança, é olhar no para-brisas! Você está vivendo de retrovisor ou está dando uma olhada no para-brisa?

 

Trechos da mensagem de 11 de junho de 2022, na Conferência de Ministros da América do Norte.

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