Trabalhar, crer e administrar

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por Rozilon Lourenço

A palavra “prosperidade”, durante algum tempo, machucou pessoas. Alguns, ao ouvir essa expressão, ficavam assustados por não entenderem a revelação sobre ser próspero. Quando não temos a revelação, sofremos um prejuízo. Porém, Deus nos conduz ao equilíbrio e entendimento para o bem da Igreja.

Quero falar sobre “trabalhar”, “crer” e “administrar”. Esse é o tripé para que tenhamos uma vida bem-sucedida. Deus deseja nos ver bem, mas precisamos saber aplicar os princípios corretos para isso. 

Há três elementos essenciais para o sucesso: o primeiro, é Deus. O dono de todas as coisas, Aquele de quem vem a bênção e o favor. Às vezes, as pessoas dizem “queria tanto ser abençoado!”. Mas o fato é que Ele já nos abençoou. Não importa o que aconteça, não importa o que as pessoas digam, não importa o que as circunstâncias apontem. Todas essas coisas passam, mas a Palavra do Senhor permanece. E a Palavra nos ensina que a bênção d’Ele já está sobre nós. 

O segundo elemento é a Palavra. A Palavra traz revelação, entendimento, coloca os princípios certos para que possamos praticar. Por fim, o terceiro elemento é você mesmo. Nós. O homem precisa trabalhar naquilo que Deus dá para ele. 

Antes de começarmos, quero definir as palavras “prosperidade” e “riqueza” porque, às vezes, existe confusão em torno delas. São coisas diferentes. Embora bens e dinheiros estejam envolvidos na prosperidade, as duas palavras não são sinônimas. Prosperidade é o que se vê em Jesus, Paulo ou Pedro, que tinham todas as necessidades supridas, não somente para eles, mas para ajudar outros também. Precisamos entender que Deus é “El Shaddai”, Aquele que deseja – e nos dá – mais do que o suficiente.

Por outro lado, riqueza é ter coisas. Você vê, por exemplo, o cantor Michael Jackson. Após a morte dele, foram encontrados galpões cheios de coisas que ele adquiriu, porém nunca desfrutou. Antes de falecer, o próprio artista admitiu que teve dinheiro suficiente para comprar tudo o que desejava, mas nem isso o levou a conquistar o amor das pessoas. Todo aquele dinheiro, de certa forma, acabou se tornando uma maldição. Mas é diferente quando você é próspero. A riqueza que vem de Deus não traz dores, não nos aprisiona, ela liberta. Estava lendo sobre Bill Gates. Ele afirma que, toda vez que acresce 70 bilhões de dólares em sua fortuna, ele distribui uma parte. Costumo dizer que ainda não completei os meus 70 bilhões, mas, em obediência a Deus, já distribuo a minha parte (risos). Precisamos entender o que é prosperidade e que Ele mesmo deseja nos abençoar.

Ler o Antigo Testamento nos mostra que, sempre quando deseja fazer algo, Deus encontra um homem. Após encontrar esse homem, Deus lhe dá uma visão. Depois da visão, Deus atrai pessoas que somem a esse propósito. E, por fim, o Senhor também provê todos os recursos necessários para que a visão se cumpra. Essa lição, nós tivemos a oportunidade de aprender com o Pr. Bud, que sempre dizia “A última coisa com a qual você precisa se preocupar é com dinheiro. Se Deus dá a visão, Ele também dá a provisão!”. Lembro de uma viagem para a qual eu não tinha dinheiro. Eu estava orando, tentando fazer alguma coisa (quem aqui nunca tentou ajudar Deus, não é mesmo?) e, já desanimado, exclamei “Senhor, já fiz de tudo! Já falei com todo mundo!”.

Nesse momento, Ele me disse: “Com todo mundo, não. Comigo, você ainda não falou. Eu que o mandei ir, Eu que cuidarei disso.” Apenas agradeci, arrumei as malas e fui à rodoviária, mesmo sem fazer ideia de como pagaria as passagens. Foi quando duas pessoas apareceram e arcaram com todas as despesas. Naquele dia, Deus me ensinou uma lição. Ele disse: “Todos os meus projetos, eu pago. Todas as minhas ideias, eu financio”. Por isso, é tão importante discernir a vontade de Deus. Ele mesmo financia os Seus propósitos. 

“Quando, pois, tiveres comido, e fores farto, louvarás ao Senhor teu Deus pela boa terra que te deu. Guarda-te que não te esqueças do Senhor teu Deus, deixando de guardar os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus estatutos que hoje te ordeno; Para não suceder que, havendo tu comido e fores farto, e havendo edificado boas casas, e habitando-as, E se tiverem aumentado os teus gados e os teus rebanhos, e se acrescentar a prata e o ouro, e se multiplicar tudo quanto tens, Se eleve o teu coração e te esqueças do Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão; Que te guiou por aquele grande e terrível deserto de serpentes ardentes, e de escorpiões, e de terra seca, em que não havia água; e tirou água para ti da rocha pederneira; Que no deserto te sustentou com maná, que teus pais não conheceram; para te humilhar, e para te provar, para no fim te fazer bem;

E digas no teu coração: A minha força, e a fortaleza da minha mão, me adquiriu este poder. Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, que ele é o que te dá força para adquirires riqueza; para confirmar a sua aliança, que jurou a teus pais, como se vê neste dia. Será, porém, que, se de qualquer modo te esqueceres do Senhor teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico contra vós que certamente perecereis. Como as nações que o Senhor destruiu diante de vós, assim vós perecereis, porquanto não queríeis obedecer à voz do Senhor vosso Deus” (Deuteronômio 8.10-20).

É interessante quando o texto diz para não dizermos em nossos corações “Foi a minha força e o meu entendimento que me deram poder”. Em resumo, é Deus quem dá a força, a revelação e o caminho para a prosperidade.

Se quisermos a prosperidade, a primeira coisa que devemos fazer é trabalhar. Muitos acham que trabalho foi uma maldição decorrente da desobediência, mas isso não é verdade. Antes da queda, o homem já tinha a responsabilidade de cultivar o jardim. O próprio Deus trabalhou na criação e o Seu descanso aconteceu apenas no sétimo dia. Na verdade, a fadiga como resultado do trabalho passou a acontecer após a queda e essa, sim, foi uma má consequência da desobediência.

Trabalho vem de Deus. E, como cristãos, temos todas as ferramentas para sermos os melhores empregados, os melhores chefes, os melhores profissionais.

Devemos correr atrás desse alvo, mas também devemos evitar quaisquer comparações com os outros. Afinal, para quem tem uma bicicleta, comprar uma moto já é prosperidade. Para quem tem uma moto, trocar por um veículo de modelo popular já é prosperidade. Não devemos olhar para o que acontece ao outro, pois não é um referencial exato para a nossa realidade. Antes, devemos trabalhar diligentemente.

“Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem-sucedido” (Josué 1.8).

Quando você começa a trabalhar com esmero e busca a Deus para obter sabedoria, você fica pronto para as oportunidades. Sabe que já tivemos casos de precisarmos de pessoas, de querermos colocá-las para trabalhar e elas não estarem prontas? A oportunidade chegou, mas aquela pessoa não estava atenta e preparada para a ocasião. Isso é algo que precisamos cuidar em nossas vidas. 

Percebo que, às vezes, alguns falam de prosperidade e a maneira como falam faz parecer que tudo se resume a crer, até que apareça um anjo e diga “o que queres, meu amo?” Não é assim. Provérbios 10.4 nos assegura que o que “trabalha com mão diligente, enriquece”. Precisamos trabalhar. E não podemos confundir as coisas. Mesmo sendo crentes e trabalhando, porventura, com outros crentes, devemos fazer exatamente o que nos foi designado.

Trabalhe com afinco, para avançar. Entre nós, às vezes, há pessoas preguiçosas. Não estudam, você pergunta como eles estão e só respondem “tudo na paz”. Você indaga o que estão fazendo e elas afirmam que estão esperando Jesus voltar. Não é assim. Precisamos trabalhar.

O segundo princípio é crer. Não há problema em crer nos avanços sobre a sua vida, até porque ser humilde nada tem a ver com coisas. Conheço pessoas que não têm nada e são soberbas, conheço milionários que são pessoas simples. Dinheiro não muda ninguém, apenas revela quem você é. Se você chegar na Caixa Econômica Federal querendo um empréstimo, haverá um protocolo a seguir. Se você bate no balcão e se recusa a cumprir o que é exigido, não obtém o dinheiro. Da mesma forma é no Reino de Deus. Não adianta apenas trabalhar (e trabalhar muito) sem a revelação de como Ele te faz próspero e deseja o uso de seus bens.

Deus quer nos abençoar, a Palavra d’Ele nos assegura isso. Trabalhe com a revelação no coração de que Ele o conduzirá em avanço e que abençoa o trabalho diligente. Coisas vão acontecer, algumas delas, inclusive, vão surpreender você. Ele é justo galardoador, Pai amoroso e atento aos seus filhos. Não dizime de qualquer jeito, não oferte de qualquer jeito. Faça com a revelação do que isso representa. Lembro de quando ganhei um relógio valioso, estimado em R$ 15.000,00. Eu pensei que aproveitaria essa bênção para trocar o meu carro, mas fui a um culto e recebi a direção de dar o objeto. Parece fácil para você? Para mim, não foi, cheguei a achar que era Satanás querendo me roubar (risos). Mas, ao discernir que aquilo vinha de Deus, cri que Ele sabe todas as coisas. Dei o relógio. E, na mesma semana, Deus me deu o carro que eu pretendia comprar. A vida, debaixo da revelação e da Fé no Senhor, nos reserva gratas surpresas.

O terceiro elemento é “administrar”. Às vezes, compramos coisas que não precisamos, com o dinheiro que não temos, para dar satisfações a quem nem conhecemos (essa frase é bem famosa). Nós temos mesmo essa cultura. De vez em quando, uma vendedora me mostra algo e diz “Olha que bacana! São só setenta parcelas!”. Eu penso comigo: “Nossa, Jesus volta e eu não vou com Ele. Vou ficar preso aqui, devendo!”. Brincadeiras à parte, o brasileiro se acostumou com parcela, não faz conta, não sabe esperar. 

Isso me traz à memória a história de José. Ele sabia em quem cria e trabalhava diligentemente, logo cresceu. Um falso testemunho foi levantado contra ele e José foi levado à cadeia. Mas quando você continua crendo e trabalhando, sempre se mantendo na mesma conduta, tratando tudo com responsabilidade, você continua crescendo. Mesmo na cadeia, José interpretou os sonhos do copeiro e do padeiro. Ele foi lembrado por isso e levado ao Faraó. Sabe o que é interessante? José predisse a fome que viria sobre o Egito, mas em nenhum momento se ofereceu para administrar o trigo e as riquezas do lugar. O próprio Deus o levantou para a função.

José era diligente no trabalho, cria na Palavra e era bom administrador. Precisamos saber fazer essas três coisas. Quando aprendemos isso, é certo que o crescimento virá. Quero lembrar aqui da parábola dos talentos e das consequências que vieram sobre o que não soube administrá-los. Você tem aqui uma Palavra poderosa, livros com profundas revelações. Precisamos atentar no que fazemos com isso. O dinheiro para ganharmos almas e fazer cada coisa acontecer está conosco. Por isso, não podemos esquecer do que é essencial para um caminho próspero: trabalhar, crer e administrar.

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