A agonia em oração

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por Simon Potter
(Integrante da Equipe Ministerial do Verbo da Vida Sede)

Gostaria de falar um pouco sobre uma determinada parte da nossa comunhão com Deus. Sempre tem aquela parte de olhar para a aace dEle, de contemplarmos a beleza d’Ele. Mas também há uma outra parte, de trabalho, na qual Deus nos mostra coisas que Ele quer mudar aqui na Terra.

“Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus.
E dele dou testemunho de que muito se preocupa por vós, pelos de Laodiceia e pelos de Hierápolis.” (Colossenses 4.12-13)

Essa passagem é muito interessante. Às vezes passamos por esse trecho sem prestar atenção, mas vamos meditar sobre a vida de oração de Epafras. Em nosso meio, temos muito cuidado com a palavra “luta” ou “combate”. Com certeza, quando oramos, não estamos lutando contra Deus. Mas estamos lutando de alguma forma, estamos pegando firme com as causas que Ele tem, orando através do Espírito Santo, deixando o Espírito fluir dos nossos corações com rios de água viva. Não é algo que fazemos somente para atender às nossas necessidades, mas para alcançar os outros também.

O versículo diz que Epafras se esforçava sobremaneira. Com certeza, um lutador (e a palavra original no grego refere-se exatamente a uma luta) doa tudo de si com um alvo, com um propósito. É assim mesmo que funciona. Existe uma parte de nossas orações que é de agonia. Por que agonia? Porque existe uma resistência no mundo espiritual.

Deus não se opõe quando oramos, mas nós temos um inimigo que tenta nos impedir.

Quem nunca experimentou decidir tirar um tempo com Deus e, toda vez, algo acontecer? Um telefone toca, alguém bate na porta, algo aparece. Muitas vezes, essa pessoa que atrapalha não foi enviada por Deus. O inimigo tem medo de nossas orações. Na verdade, ele confia em nossas orações até mais do que nós mesmos e, por isso, tenta nos desviar do nosso tempo com o Pai, não somente no devocional, mas também nessa parte de trabalho. Na luta, na agonia.

Se pensarmos sobre Jesus, no Jardim, também veremos um episódio semelhante.

“E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.” (Lucas 22.44)

Nesse momento, no jardim, Jesus também enfrentava uma luta entre a vontade dEle e a do Pai, entre a tentação de sair do Caminho e a vontade de cumprir o seu chamado. Já no início do Livro de Colossenses, o próprio Paulo também menciona um episódio no qual agonizava em oração:

“Para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim.” (Colossenses 1.29)

Aqui vemos o esforço novamente. E não era pelas necessidades pessoais que Paulo tinha. Através da oração da fé, resolver as nossas necessidades se torna algo bem simples. Deus desenhou e preparou tudo para nós, para que seja fácil receber a nossa provisão. Uma vez supridos, podemos dedicar muito mais tempo a orar por outras pessoas. Que coisa boa! Que liberdade! Descansamos nEle para nos doarmos aos outros.

Quem quer essa agonia? Quem quer essa liberdade? Às vezes, dizemos “sim” pela fé. Mas os olhos do Pai procuram alguém que vai entrar nessa comunhão de agonia. Muitas vezes, outros povos, nações e tribos estão presos na escuridão. O inimigo colocou barreiras ao redor deles, resistindo à pregação do Evangelho. Mas nós podemos mudar isso. Não falo aqui de um trabalho da carne, mas daquilo que flui de nosso interior com intensidade, como se os rios do Espírito Santo fluíssem de nós.

Às vezes estamos como um martelo, uma batida de cada vez, influenciando pessoas e as vontades dos que estão perdidos. Podemos até mesmo ver o Espírito Santo agindo, os anjos, a influência dos Céus mudando a influência do maligno. De repente, aquela pessoa que estava longe de Deus cai em si e diz: “Agora eu vejo! Eu vejo a minha necessidade de Jesus!”

Isso não vem pela oração da fé. Não estou aqui pregando contra essa oração. Mas quando se trata da vontade de outro, não é esse o tipo de oração que funciona. Precisamos nos lançar nessa agonia, nessa profunda intercessão. É isso que bate no coração de Deus: salvação, reconciliação.

Deus procura esse tipo de comunhão, que vai além do devocional, que acessa o Trono, na qual vemos a face de Deus e, depois disso, o Trono. Vemos aquilo que Ele quer alcançar. E com qual propósito? Epafras orava para que os colossenses crescessem e fossem conservados perfeitos na fé.

Esse é o nosso alvo, esse é o resultado da nossa agonia: o avanço dos crentes e novos convertidos.

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